Considerações

Somos espíritos passando por uma experiência humana. Como e o quê vamos fazer, partindo dessa premissa, depende única e exclusivamente de cada um. Convido todos a participarem dessa jornada com responsabilidade nos deveres a cumprir individual e socialmente. Espero poder auxiliar fazendo minha parte. Peço paciência e desprendimento para que possa fazer um bom trabalho.


sábado, outubro 09, 2010

Observando as Pessoas III

Ao sentar em qualquer casa de lanches ou restaurante, ou mesmo estando parado em filas de espera, observe as pessoas, até em mesas ocupadas ao seu redor. Ouça o que falam. Escute o que as pessoas se têm a dizer. Freqüente grupo de pessoas, famílias, observe o ambiente mais próximo nas horas de lazer, quando do trabalho as pessoas não mais estiverem ocupadas.
Com espanto verificará o vazio de tudo sobre o que as pessoas conversam, quando não podem falar a respeito de suas ocupações em geral. Sentirá intuitivamente até a aversão, o vazio dos pensamentos, a estreiteza opressora do círculo de interesses, como também a assustadora superficialidade, tão logo você se ocupe disso de modo sério e com aguda observação.
Certa vez, o Mestre Luigi em uma de suas conversas de puro ensinamento, nos contou sobre uma observação que fez tomando um café em lanchonete. Disse que notou uma pessoa, durante um longo tempo, que lia um livro na maior atenção, compenetrada na leitura, e o livro tinha como título: “O Osso”. Lembro-me dele dissertando sobre o que levaria alguém a se envolver na leitura, por muito tempo, de um livro com um título desses. Quanta superficialidade, não? O que aquele livro traria de contribuição para a vida daquela pessoa?
Na verdade, nas poucas exceções que então encontrará, cujas palavras em horas de lazer da vida cotidiana são decorrentes de anseio pelo aperfeiçoamento da alma, parecerá até estranho, solitário mesmo, como em meio à turbulência de um parque de diversões.
Exatamente nessas, assim chamadas horas de lazer, é que conseguirá reconhecer com maior facilidade o íntimo verdadeiro do ser humano, depois que o apoio externo e o campo específico de seus conhecimentos cessam, com o afastamento de suas atividades profissionais costumeiras. O que então restar é o autêntico indivíduo. Olhe para ele, escute suas palavras com neutralidade. Em breve terá que interromper as observações, por tornarem-se insuportáveis.
Profunda tristeza nos toma conta quando reconhecemos quantos seres humanos atravessam unilateralmente a existência terrena, vendo sempre apenas o plano mundano diante de si. Preocupam-se com a comida, com a bebida, tratam de acumular quantidade maior ou menor de valores terrenos, esforçam-se por obter prazeres corporais e consideram quaisquer reflexões sobre coisas que não podem “ver”, como desperdício de tempo que, na opinião deles, poderia ser empregado muito melhor em “lazer”.
Não podem compreender nem jamais compreenderão que a existência terrena, com todos os seus prazeres e alegrias, só têm real conteúdo quando se fica de certo modo familiarizado com o mundo espiritual, conhecendo os efeitos recíprocos que a ele nos ligam, não tendo mais assim a sensação de estar entregue a acasos. Repelem isso para longe de si, na falsa concepção de que se existe um mundo espiritual, dele só lhes poderia advir incômodos ou também pavores, logo que com ele se ocupassem.
Tolos são os que passam por tudo isso! Covardes, aos quais as maravilhosas alegrias de um progredir corajoso permanecerão sempre a mercê do ambiente metafísico, que os levarão ao desencarnarem, às mais longínquas distâncias, em planetas primitivos na escala primordial das existências na Criação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário